“A boa notícia é que os investidores imobiliários estão cá todos”

Terá a pandemia amedrontado os investidores imobiliários?
Nem por isso. Os grandes negócios continuam a concretizar-se e 2020 vai encerrar com um volume de transações superior a 2,7 mil milhões de euros


Terá a pandemia amedrontado os investidores imobiliários? Nem por isso. Os grandes negócios continuam a concretizar-se e 2020 vai encerrar com um volume de transações superior a 2,7 mil milhões de euros, diz Francisco Horta e Costa, da CBRE

ano começou tão bem para o mercado imobiliário de rendimento em Portugal que mesmo com a pandemia a suspender grandes negócios em setores como a hotelaria, retalho ou escritórios nos meses de março e abril, o semestre acabaria por fechar com um total de 1.700 milhões de euros movimentados, ou seja, “o maior valor histórico” de sempre para um primeiro semestre.

O feito vem realçado na 5ª edição do “The Property Handbook – a Real Estate Investment Guide” que foi hoje dado a conhecer pela consultora CBRE e a sociedade de advogados Vieira de Almeida (VdA),  que em conjunto criaram um guia para o investimento imobiliário em Portugal com informação sobre o mercado e respetivo contexto legal e fiscal para enquadrar as estratégias de investimento.

E os investidores continuam por cá, afiançou Francisco Horta e Costa, apesar da singularidade dos tempos. “A componente incerteza tem vindo a reduzir e nos últimos três meses o mercado tem estado a recuperar a dinâmica internacional. O que sabemos é que este momento nada tem a ver com a crise financeira de 2008/2013. Nessa altura bem podíamos apregoar o nome de Portugal mas ninguém queria cá investir”, realçou o diretor-geral da CBRE, adiantando que 2020 deverá fechar com um volume de investimento imobiliário comercial superior a 2.700 milhões de euros.

Francisco Horta e Costa, diretor-geral da CBRE Portugal

“Há muita liquidez no mercado para investir, os retornos do imobiliário continuam a ser muito atrativos e prova disso são os vários negócios que estão neste momento em curso. Essa é a forma do mercado nos transmitir que Portugal continua no radar dos investidores”, reforçou ainda o responsável, dando como exemplo a recente aquisição do Lagoas Park pelo fundo britânico de private equity Hendersen Park por 421 milhões de euros. “É o melhor sinal que o mercado poderia receber neste momento”, acrescentou.

Na sociedade de advogados Vieira de Almeida, o fluxo de trabalho da equipa de 20 elementos que integra o departamento de imobiliário, também já praticamente voltou à normalidade após o confinamento. “Estamos envolvidos no mesmo número de operações que já tínhamos antes da pandemia. E temos essa visão abrangente quer junto dos investidores de rendimento, quer no mercado de promoção, que representam de forma equitativa a nossa carteira de clientes. Existe um elevado nível de interesse”, apontou, por seu turno, Miguel Marques dos Santos, advogado da Vieira de Almeida (VdA), também presente na videoconferência de apresentação do guia.

E o perfil dos investidores não mudou, garante o sócio da VdA para a área de imobiliário, sublinhando que por alturas do confinamento, “numa perspetiva mais reservada, de incerteza, acreditava que em setembro o mercado poderia estar repleto de investidores oportunísticos mas isso não está a acontecer”.

Francisco Horta e Costa corrobora: “Portugal continua a ser procurado pelo típico investidor ‘core’ (conservador) como os fundos alemães, por exemplo, pouco propensos ao risco e também por investidores com perfil mais oportunístico que estão neste momento a olhar para segmentos como a hotelaria. A boa notícia é que os investidores estão cá todos”.

Entre os setores apontados no guia de investimento com grande potencial de desenvolvimento está o da promoção aplicada ao residencial de rendimento. Lembrando que o mercado de arrendamento residencial “é ainda um setor bastante imaturo em Portugal”  representando apenas 20% do total das casas habitadas, surge assim a oportunidade para a aplicação de capital em edifícios destinados a arrendamento e geridos por investidores institucionais.  Uma oportunidade estimulada pelas “alterações na lei do arrendamento e a condições mais restritivas das hipotecas que tornaram o mercado de arrendamento uma opção interessante” aliado à mobilidade da geração milénio e a um número crescente de estrangeiros a trabalhar e a estudar em Portugal, aponta-se no guia.

Já no setor dos escritórios, refere o documento, espera-se que até ao final de 2020 estejam concluídos 60.000 m² de novos edifícios, um autêntico “recorde” de novas áreas de trabalho edificadas de raíz quando se olha para os projetos concluídos na última década, uma altura em que os promotores estavam mais interessados em investir em habitação. Metade dessa área já está, porém,  comprometida, o que mostra a necessidade de espaços modernos. “Estima-se que apenas em 2021 seja colocada no mercado uma oferta mais significativa, de cerca de 110.000 m2”, refere o documento.

Os setores das residências de estudantes e dos séniores surgem também entre as novidades de investimento a par dos já tradicionais mercados de logística, retalho e hotelaria, estes últimos mais afetados negativamente pela pandemia.

Fonte: Visão

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